{"id":14733,"date":"2019-06-10T16:57:42","date_gmt":"2019-06-10T19:57:42","guid":{"rendered":"http:\/\/olivopampa.com.br\/?p=14733"},"modified":"2019-06-10T16:57:42","modified_gmt":"2019-06-10T19:57:42","slug":"brasil-na-rota-de-producao-de-azeites-de-qualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/olivopampa.com.br\/?p=14733","title":{"rendered":"Brasil na Rota de Produ\u00e7\u00e3o de Azeites de Qualidade"},"content":{"rendered":"<p><strong>Brasil na Rota de Produ\u00e7\u00e3o de Azeites de Qualidade<\/strong><\/p>\n<p>Com o in\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o de novos olivais no Estado de Rio Grande do Sul, h\u00e1 aproximadamente 7 anos, o Brasil ingressou no mundo dos produtores de azeite. Alguns olivicultores pioneiros, assumiram riscos e apostaram em plantar essa milenar cultura no sul do Brasil e tiveram suas primeiras colheitas comerciais.<\/p>\n<p>O mais surpreendente foi que os diversos \u201cterroirs\u201d brasileiros, embora algo diferentes das \u00e1reas tradicionais para o cultivo de oliveiras (Mediterr\u00e2neo), resultaram ser muito adequados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de azeites de qualidade, desde que algumas providencias sejam adotadas para superar alguns fatores limitantes.<\/p>\n<p>Em termos gerais as regi\u00f5es brasileiras, onde est\u00e1 implantada a cultura, possuem:<\/p>\n<ul>\n<li>Maior umidade, se comparamos com outras regi\u00f5es do Mediterr\u00e2neo. Este fator incide negativamente na ocorr\u00eancia de doen\u00e7as e alguns insetos danosos;<\/li>\n<li>Salientamos que algumas importantes doen\u00e7as e pragas presentes no Mediterr\u00e2neo e em outras regi\u00f5es produtores, n\u00e3o est\u00e3o presentes no Brasil. Entre elas podemos mencionar a mosca da Oliveira (<em>Bactrocera oleae<\/em>), a <em>Prays oleae<\/em> que afetam a qualidade dos azeites e a doen\u00e7a bacteriana <em>Pseudomonas sevastanoi,<\/em> tamb\u00e9m chamada de tuberculose da oliveira;<\/li>\n<li>Os solos no Brasil s\u00e3o diferentes precisando de corre\u00e7\u00e3o e preparo pr\u00e9vio \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o dos olivais, al\u00e9m dos olivicultores brasileiros terem que adotar programas de nutri\u00e7\u00e3o espec\u00edficos para as diversas condi\u00e7\u00f5es da nova realidade;<\/li>\n<li>Os novos olivicultores est\u00e3o carentes de informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas adequadas a realidade local. A maior parte das informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas do setor se referem aos pa\u00edses produtores tradicionais.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Entre os fatores cr\u00edticos para o sucesso da cadeia, encontramos:<\/p>\n<ol>\n<li>Produ\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria prima de qualidade, isenta de danos ocasionados por pragas e doen\u00e7as<\/li>\n<li>Processos de extra\u00e7\u00e3o que garantam a melhor qualidade dos azeites produzidos.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Depois de alguns anos, ainda poucos produtores est\u00e3o se destacando por produzir qualidade em decorr\u00eancia da ado\u00e7\u00e3o de algumas pr\u00e1ticas que conseguem contornar as limita\u00e7\u00f5es do meio ambiente local, obtendo azeitonas de excel\u00eancia, al\u00e9m se seguir um processo de extra\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o indicado para obter azeites de alta gama.<\/p>\n<p>H\u00e1 diferencias significativas na qualidade dos bons azeites locais e a grande parte dos azeites importados, produzidos industrialmente que denominaremos <strong>cl\u00e1ssicos<\/strong>. <strong>Na realidade trata-se de dois produtos diferentes, embora sejam vendidos com a mesma denomina\u00e7\u00e3o&#8230;!<\/strong><\/p>\n<p>Os maiores diferencias est\u00e3o nos aspectos sensoriais como frescor, na qualidade do frutado, das notas de amargor e de pic\u00e2ncia dos azeites produzidos localmente se comparados aos azeites maduros\/cl\u00e1ssicos importados e vendidos como Extra Virgens, embora, do ponto de vista qu\u00edmico, n\u00e3o o sejam.<\/p>\n<p>Esta diferen\u00e7a \u00e9 ainda maior em azeites produzidos por olivicultores que cuidam bem da sanidade de seus olivais e colhem antecipadamente suas azeitonas, num ponto mais verde que maduras e que processam as frutas logo depois de colhidas, idealmente em lagares localizados dentro do olival. Um menor tempo entre colheita e extra\u00e7\u00e3o, al\u00e9m dos cuidados com temperatura, tempo de batido, etc. durante a elabora\u00e7\u00e3o dos azeites, permite um resultado final de alta qualidade, de excel\u00eancia, como o que se v\u00ea em grande parte dos azeites brasileiros, com especial destaque \u00e0queles que possuem lagar (ind\u00fastria de azeites) dentro do olival.<\/p>\n<p>Podemos destacar que os azeites importados, aqui denominados como Cl\u00e1ssicos, s\u00e3o em sua grande maioria, azeites produzidos a partir de azeitonas maduras (com teor de polifen\u00f3is j\u00e1 bastante inferior), muitas delas infestadas com a mosca da oliveira, larva que constr\u00f3i tuneis nas frutas, oxidando o azeite que elas possuam, antes mesmo da colheita. Estas frutas d\u00e3o origem a azeites que se encontram no limite entre <strong><em>Extra Virgens<\/em><\/strong> (sem defeitos sensoriais) <strong><em>e Virgens<\/em><\/strong> (defeituosos) e at\u00e9 entre Virgens e Lampantes (que s\u00e3o impr\u00f3prios ao consumo humano).<\/p>\n<p>O Brasil destaca-se como um grande importador de azeite, desafortunadamente de baixa qualidade. Os azeites importados, s\u00e3o transportados ao Brasil expostos a condi\u00e7\u00f5es adversas. Muitos deles chegam ao destino, fora da classifica\u00e7\u00e3o original, auto denominando-se como Extra Virgens no ponto de venda. &nbsp;Salientamos que muitos dos olivicultores fornecedores de grandes lagares industriais s\u00e3o pagos pelo rendimento grasso, com pouca considera\u00e7\u00e3o \u00e0 qualidade.<\/p>\n<p>Entre os problemas que os produtores de azeites de qualidade enfrentam est\u00e3o, entre outros, a classifica\u00e7\u00e3o extremamente abrangente dos azeites Extra Virgens. Uma quest\u00e3o que podemos levantar \u00e9 \u201cpara onde v\u00e3o os azeites Virgens?\u201d, &nbsp;grande maioria da produ\u00e7\u00e3o mundial. N\u00e3o aparecem nas g\u00f4ndolas dos supermercados. Acabam sendo classificados como Extra Virgens por utilizarmos apenas par\u00e2metros qu\u00edmicos para classifica\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m podemos ressaltar as limita\u00e7\u00f5es da entidade fiscalizadora (MAPA) em controlar devidamente a qualidade da venda de azeites no Brasil.<\/p>\n<p>Outro ponto importante \u00e9 o desconhecimento dos consumidores em rela\u00e7\u00e3o aos azeites. A maioria compra pelo pre\u00e7o. Os azeites no limite da qualifica\u00e7\u00e3o ou desclassificados, s\u00e3o vendidos a pre\u00e7os baixos, muito abaixo dos custos de quem produz com qualidade, originando uma concorr\u00eancia desleal. Tamb\u00e9m podemos destacar os subs\u00eddios europeus aos seus produtores distorcendo assim, o comercio internacional.&nbsp;<\/p>\n<p>Nota:&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Na Olivopampa, empresa produtora dos Azeites Ouro de Sant\u2019Ana, os operadores<\/strong> do lagar,<strong>Sibele Mantovani Rotondo e Fernando H. Rotondo al\u00e9m de outros membros da fam\u00edlia, fizeram cursos de especializa\u00e7\u00e3o na Espanha (2012) e It\u00e1lia (2015). O lagar, localizado dentro do olival, foi dimensionado para processar e acompanhar o ritmo da colheita. <\/strong><\/p>\n<p><strong>A safra 2019 foi sua quinta colheita, que est\u00e1 se destacando pela excelente qualidade atingida. Compet\u00eancia t\u00e9cnica e paix\u00e3o pela atividade, nos permite atingir e exceder os par\u00e2metros de qualidade dos melhores azeites do mundo.<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/olivopampa.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/9d2b426a-0b6a-426f-8816-bda78832cf0c.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-14735\" src=\"http:\/\/olivopampa.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/9d2b426a-0b6a-426f-8816-bda78832cf0c-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"768\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasil na Rota de Produ\u00e7\u00e3o de Azeites de Qualidade Com o in\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o de novos olivais no Estado de Rio Grande do Sul, h\u00e1 aproximadamente 7 anos, o Brasil ingressou no mundo dos produtores de azeite. 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